Encontro Internacional de Formadores (as), Animadores (as) Vocacionais e Formandos (as)Salvatorianas.

No dia 17 de outubro de 2020, mês dedicado às missões, a Família Salvatoriana reuniu-
se para refletir e animar a comunidade formativa, sobre o que é ser missionário
salvatoriano no mundo atual.
“Pensa nos diversos povos, países e línguas do orbe terrestre, e vê quanto ainda resta
fazer para a glória de Deus e a salvação do próximo!” (Pe. Jordan). Este pensamento
apresentado pelo padre Francisco Sydney de Macêdo Gonçalves, marcou a acolhida e o
início do encontro que uniu formadores, animadores vocacionais, formandas e
formandos salvatorianos do Brasil, Moçambique e Colômbia.
Após o momento de espiritualidade dinamizado pelos formandos salvatorianos, deu
início o momento de formação com o padre Milton Zonta, superior geral da Sociedade
do Divino Salvador, que refletiu a partir desta temática: Uma tocha que arde e ilumina –
Dinamismo missionário salvatoriano. Padre Milton usou a imagem do inverno para
refletir os tempos em que vivemos nossa vida consagrada. O inverno representa a falta
de luz, poucas flores, poucas cores. Mas, afirma o superior, não é tempo de morte, de
desesperança, mas sim, tempo de trabalho, de preparação, pois em breve florescerá, e as
cores voltam a vibrar.
Padre Milton Zonta ressaltou que mesmo passando por um período de poucas vocações,
não é tempo de desespero ou tristeza, pois é tempo de preparar as raízes. Quer dizer,
cuidar do que é importante para ser um bom salvatoriano, e consequentemente, surgirão
novas vocações, como sonhou nosso fundador. Mas, como fazer o que padre Jordan
sonhou para nossa missão? Esse foi o tema central de sua fala nesse encontro,
pontuando alguns fundamentos que constitui o paradigma da nossa vocação missionaria
nos tempos de hoje. O papa Francisco nos convida a mudar o rosto da igreja, e essa
mudança se chama dinamismo missionário que atua por atração. Uma nova etapa que
todos nós precisamos ser instrumentos desse dinamismo.
PRESSUPOSTOS DA MISSÃO HOJE:
Mística e missão
Padre Milton apontou que esses dois movimentos são insuperáveis, e utilizou como
exemplo as linhas dos trens, da qual, se faltam uma delas, o trem não anda. E ele segue
afirmando que o missionário não tem luz própria, sempre é alguém enviado. E o centro
dessa missão é o encontro com Jesus Cristo, quem o enviou. Todo cristão é missionário

desde o momento que se encontra com a pessoa de Jesus. Por isso, a missão não pode
ser parte da nossa vida, ela tem que ser a nossa vida. Não é um ornamento para deixar
de lado. A missão, também, não é um pequeno momento que vivencio em alguns
momentos específicos por onde passo. Missão é ser e agir. Quem é discípulo é
missionário e, isso, não é algo que possa nos ser tirado e continuarmos intactos. Sem a
missão paramos de respirar.
Então, segundo o superior, a problemática sobre a missão não são os meios. O principal
desafio é unir Mística e Missão. De nada serve se fizermos grandes projetos caritativos
sem espiritualidade. O coração da missão é a oração, ou seja, mística e missão.
O paradigma da missão
Modelo de igreja que prevalecia no tempo de Jordan é a missão Missão Ad Gentes, ou
seja, primeiro anúncio para aqueles povos que não conhece a Jesus, a igreja tinha o
controle da missão. Como é sabido, foi à igreja que convidou a Jordan a enviar
missionários para a Índia. A visão da missão tem como base a catequese, batizados e
anúncio. Com essa perspectiva, milhares de homens e mulheres deixaram seus países
para ser missionários em terras longínquas. Porém, nos recorda o padre superior, uma
grande mudança aconteceu na ideia de missão, e essa mudança tem por base a reforma
protestante, da qual, começando a refletir sobre o conceito de missão e concluiu que a
missão é anterior a igreja, é um atributo de Deus, uma vez que “Deus é missão”,
assegurou padre Milton Zonta. Com o Vaticano II a missão ganha uma amplitude
bastante positiva, uma vez que a igreja já não é centro da missão, e sim, uma
importante colaboradora. Dito de outra forma, missão é o modo de ser da igreja. Missão
é um verbo em movimento, que nos faz ultrapassar todas as fronteiras.
Ao relembrar nosso carisma, padre Milton relembra que quando Jordan escreve nossa
missão, ele não cita em obras como escola, paróquias ou qualquer modo e sim exalta a
fortalecer, conhecer, propagar a fé católica.
Nós não somos protagonistas da missão, somos colabores, cooperadores dessa missão.
O protagonista é o Espirito Santo. O importante não é o que fazemos, mas sim, aquilo
que o Espirito Santo está fazendo através de nos. Como diz Madre Teresa de Calcutá:
“somos um lápis na mão de Deus”. Mas, qual a missão especifica dos salvatoriana? Em
que consiste?

Somos chamados a colaborar com a ação do Espírito Santo. Não é os salvatorianos,
salvatorianas que possuem a missão, mas sim, a missão que as possui.
O papa Francisco na Evagelli Gaudium destaca que todos os carismas estão juntos, mas
cada um tem a sua particularidade. O carisma não é uma peça de museu, fechado,
protegido por um grupo. O carisma é um presente do Espirito. Cada carisma tem muito
o que cooperar na missão de Deus.
Devemos sair e oferecer o que temos de mais valioso, ou seja, oferecer a todos a vida de
Jesus Cristo. É nisso que os salvatorianos devem colaborar, oferecendo a todos a vida
de Jesus Cristo. E como afirma Milton Zonta, é
impressionante como muitas pessoas ainda não conhecem a Jesus Cristo. Nós, religiosas
e religiosos salvatorianos devemos colaborar com a igreja tornando Jesus conhecido.
Essa é a nossa missão. Conhecer Jesus é o melhor presente que alguma pessoa pode ter,
por isso, ser apostólico deve estar no DNA de todo salvatoriano e salvatoriana.

Seguir Jesus Cristo, nosso salvador, é abraçar com ousadia a missão. O contrário de
missão é omissão, não podemos ser omissos à Jesus. E para isso é necessário ter
compaixão com os pobres e marginalizados. Não há como ser discípulos missionários
sem ter compaixão pelos pobres, não sendo sensível às realidades com que as pessoas
vivem. O sofrimento alheio deve despertar em nós os mesmos sentimentos de Jesus.
Jamais devemos esquecer que os pobres são os privilegiados do Evangelho. Eles são
para nós a carne de Cristo. Segundo papa Francisco, os pobres são o passaporte para o
paraíso.
A beleza pela vida doada aos demais
A beleza salvará o mundo, mas a “beleza” é diferente de estética. Isto significa que a
beleza é a vida verdadeira, que fascina que contagia como foi à vida de Francisco
Jordan. A vida de compaixão de entrega é uma vida bela. Uma vida com o espirito,
doada, entregue é bela. Já a estética é algo passageiro, supérfluo. Logo a beleza é
duradoura, transformadora, já que ela está no ato de amar até o fim, como fez Jesus
Cristo. A beleza evangélica está em uma vida de entrega.
O testemunho de um modo diferente de viver

Segundo o superior geral a missão se faz com testemunho, ele é o maior e mais
importante meio de evangelização. devemos sempre ter presente que a igreja cresce por
atração. E para atrair as pessoas devemos atuar com humildade, sem fugir atrás de
títulos, somente assim será exaltado a pessoa de Cristo e não a nossa pessoa. Devemos
ser testemunha de uma forma diferente de fazer as coisas, de agir e de viver. Com isso
promoveremos a cultura do encontro. O encontro com Jesus Cristo. Como já dissemos,
mais do que os discursos, o que encanta são os gestos, a proximidade, a simplicidade, o
testemunho.
Redes Sociais em sintonia com os nativos digitais
O mundo digital é mais que uma ferramenta é uma realidade que da qual não se pode
escapar. Para muitos é um modo de viver, é o ambiente do dia a dia. E se nossa missão
exige estarmos onde estão as pessoas, logo, hoje a missão também deve estar nesse
ambiente. A missão digital não se faz mais como hobby, e sim, com seriedade e
constância. Precisa formação, dedicar tempo. Dito de outro modo, a comunicação
digital é o lugar de missão, por isso precisa de preparação e estudo.
O papa Francisco nos chama para um dinamismo missionário que atua por atração.
“Senhor, que eu esteja sempre abrasado de um grande amor por Ti” Pe. Jordan. Que
sejamos essa tocha em movimento, em lugar de um farol que está parado. Que tipos de
missionários você quer ser? Um farol estático ou uma tocha em movimento?
“A juventude não é uma sala de espera, é o agora de Deus.” (papa Francisco)
Após a explanação do padre Milton, foi aberto um espaço para perguntas e
ressonâncias. No fechamento do encontro, Ir. Sandra Regina Alves de Souza, destacou
dois horizontes: 1) A compaixão pelos pobres, pelos últimos – “Os pobres nos
evangelizam e nos formam”. É importante não perdermos esse foco, para assim
continuarmos neste fluxo da missão, com o coração cheio de compaixão e
misericórdia. 2) A beleza de uma vida doada. É um convite para vermos a vida doada
com um olhar de beleza e de contemplação. Ao contemplar tantos salvatorianos e
salvatorianas pelo mundo afora, podemos vislumbrar a beleza de uma vida doada a
serviço do Reino de Deus. Por fim, agradeceu aos jovens formados e formandas por
fazerem parte da missão salvatoriana.
O encontro foi um verdadeiro kairós, tempo da graça, tempo da vida, tempo da
esperança, tempo em que reafirmou o desejo de fazer da nossa vida uma missão.

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